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Millôr Fernandes há muito tempo sobre o tema.
- Fica dito.
Não se pode traduzir sem ter uma filosofia a respeito do assunto. Não se pode traduzir sem ter o mais profundo respeito pelo original, e, paradoxalmente, sem o atrevimento de desrespeitar a letra do original exatamente para lhe captar melhor o espírito, não se pode traduzir sem o mais amplo conhecimento da língua traduzida mas, acima de tudo, sem o fácil domínio da lingua para a qual se traduz. Não se pode traduzir sem cultura e, também, contraditóriamente não se pode traduzir quando se é um erudito, profissional utilíssimo pelas informações que presta.
- Que seria de nós sem os eruditos em Shakespeare?-
Mas cuja tendência fatal é empalhar a borboleta. Não se pode traduzir sem intuição. Não se pode traduzir sem ser um escritor com estilo próprio, originalidade sua, senso profissional.
Não se pode traduzir sem dignidade.
Para a revista Senhor em 1962
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